Dissertações 2016

AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIMICROBIANA E DO PODER SURFACTANTE DAS SAPONINAS DO JUÁ (Ziziphus joazeiro) MODIFICADAS ENZIMATICAMENTE
NATÁLIA NEY LYRIO
Resumo: Saponinas são glicosídeos encontrados, principamente, em vegetais superiores, mas também em alguns animais marinhos invertebrados. Possuem um esqueleto triterpênico ou esteroidal ligado a cadeias de açúcares através de uma ou mais ligações glicosídicas. A estrutura das saponinas apresenta característica anfifílica, o que faz com que essas substâncias apresentem propriedades surfactantes. Neste trabalho, investigaram-se as saponinas triterpênicas do juá (Ziziphus joazeiro), avaliando-se não só seu poder tensoativo, através da determinação da sua concentração micelar crítica (CMC) e do seu índice de emulsificação 24 horas (IE24), como também sua atividade antimicrobiana, pela determinação da concentração inibitória mínima (MIC) contra Salmonella choleraesuis (ATCC 10708), Escherichia coli (ATCC 8739), Pseudomonas aeruginosa (ATCC 9027), Staphylococcus aureus (ATCC 6538), Bacillus subtilis (ATCC 6633) e Candida albicans (ATCC 10231). Posteriormente, as saponinas do juá foram submetidas a reações de hidrólise enzimática por três enzimas comerciais: Viscozyme L (celulases e hemicelulases), Ultrazym AFPL (pectinases) e Celluclast 1.5L (celulases). As condições reacionais utilizadas foram pH 5, temperatura 50ºC, rotação 200 rpm, concentração de saponina igual a 1%, enzima 5% (v/v) e tempo reacional mínimo de 24 horas. Os produtos das reações foram caracterizados por HPLC-MS e avaliados quanto às propriedades surfactantes e antimicrobiana. A Celluclast foi a enzima que mais produziu compostos hidrolizados. Não houve alteração das propriedades surfactantes após a modificação enzimática das saponinas. As saponinas originais do juá apresentaram atividade contra C. albicans em concentrações entre 2,5 e 0,313 mg/mL, mas não apresentaram atividade contra nenhuma das bactérias testadas. As saponinas modificadas não apresentaram atividade contra nenhum dos micro-organismos testados. Observou-se uma relação entre a MIC e a CMC, indicando que o poder antimicrobiano de compostos surfactantes depende de como as moléculas se encontram em solução: na forma livre ou em micelas.

AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DE EXTRATOS DE Dioscorea piperifolia FRENTE À MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS
PAULA MONTEIRO LOPES
Resumo: O gênero Dioscorea é o mais importante da família Dioscoreaceae, apresentando cerca de 600 espécies. Os múltiplos usos em que essas são empregadas fazem desse gênero um dos mais valiosos e amplamente utilizados no mundo. O objetivo do presente trabalho foi realizar a atividade antimicrobiana de Dioscorea piperifolia, bem como avaliar a citotoxicidade, o tempo de morte e visualizar a presença de substâncias ativas. As folhas e tubérculos de D. piperifolia foram submetidos a extração com solventes de polaridade crescente (hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol), a solução foi concentrada até resíduo em rotaevaporador e solubilizada em DMSO na concentração de 100mg/mL. Os extratos foram submetidos ao screening de 4 microrganismos (Escherichia coli, Staphylococcus aureus resistente à meticilina, Candida albicans e Cryptococcus neorformans), apresentando atividade promissora com valores de concentração inibitória mínima entre 78 μg/mL à 5000 μg/mL. Os extratos hexânico das folhas e DCM e acetato de etila dos tubérculos foram analisadas por cromatografia em camada delgada e bioautografia e apresentaram pelo menos uma região com atividade frente a E. coli e C. neorformans. A atividade citotóxica foi determinada pelo método de inibição do crescimento celular baseados no método do MTT. Os extratos hexânico das folhas e tubérculos e o extrato acetato de etila dos tubérculos apresentaram CMNT de ≥80% das células VERO para concentrações de 78,125 à 312μg/mL. O tempo mínimo necessário para os extratos com valores de CIM considerados como ativos inibirem a ação dos microrganismos variaram de 30 minutos a 2 horas.

EFEITO DA ADIÇÃO DE ÁCIDO GÁLICO SOBRE A REAÇÃO DE MAILLARD EM SISTEMAS-MODELO
THAÍSA ABRANTES ELIAS
Resumo: A Reação de Maillard (RM) compreende diversas vias de reações químicas que são essenciais no desenvolvimento de coloração, aroma e flavor característicos de alimentos processados termicamente. O estudo das vias da RM é dificultado em função de sua complexidade, mas a utilização de ferramentas de estudo simplificadas, tais como os sistemas-modelo (SM), auxiliam na elucidação dessa reação. A inclusão de compostos fenólicos em SM permite, portanto, avaliar sua participação na RM, contribuindo para um maior entendimento acerca das potenciais implicações da presença desses compostos na formação de produtos da RM em alimentos. Nesse contexto, o objetivo desse estudo foi avaliar o efeito da adição de ácido gálico (GA) sobre a RM. Prepararam-se SM a partir da mistura de aminoácidos (alanina, arginina, glicina, lisina e prolina) e açúcares (frutose, glicose e sacarose) (0,5 mol/L), contendo ou não GA (0,01 mol/L), em tampão acetato (1 mol/L, pH 5), sob refluxo (125 ºC) por 6 horas. A intensidade do escurecimento foi determinada pela absorbância em 420 nm. A atividade antioxidante (AA) foi avaliada pelos ensaios de FRAP e TEAC. O consumo dos reagentes, bem como a formação de 5-hidroximetilfurfural (5-HMF), foram avaliados por HPLC. Os SM apresentaram as maiores intensidade de escurecimento e AA quando constituídos de glicose e/ou lisina, que foram os reagentes que também apresentaram o maior consumo na RM (p < 0,05). A formação de 5-HMF relacionou-se tanto com o consumo de açúcares quanto com o de aminoácidos, indicando a possível formação desse composto a partir do conjunto de fragmentação de compostos nitrogenados, na etapa intermediária. A menor degradação de lisina em presença do GA, assim como a correlação entre concentração molar de GA e de açúcares (r = 0,743) indicam a provável reação desse composto fenólico com compostos do conjunto de fragmentação de açúcares. A adição de GA promoveu aumentos expressivos (entre 69 % e 486 %) na AA de todos os SM. Quando aquecido isoladamente, o GA não sofreu degradação ou modificação de sua AA, corroborando sua participação na RM e na formação de compostos com AA ao longo da reação. A correlação entre a concentração molar de GA e AA na ausência dos SM contendo glicina (r < -0,726) sugeriu a formação de compostos com atividade pró-oxidante nesses SM. Os resultados obtidos no presente estudo evidenciaram, pela primeira vez, a participação do GA na RM, contribuindo para o entendimento da formação de substâncias derivadas de compostos fenólicos via RM.

AFLATOXINAS EM CASTANHA-DO-BRASIL (Bertholletia excelsa H. B. K): ANÁLISE, OCORRÊNCIA NO MERCADO DE VAREJO NO RIO DE JANEIRO E DESCONTAMINAÇÃO DE SEU EXTRATO POR VIA BIOTECNOLÓGICA
YURI PEREIRA SOUZA
Resumo: A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa H. B. K.) é uma das plantas mais importantes da Amazônia devido ao seu valor ecológico, social, econômico e alimentar. Durante o período de pós-colheita da castanha-do-Brasil, fungos podem estar presentes naturalmente no ambiente de sua produção. Algumas espécies de fungos são produtoras de micotoxinas, no caso da castanha, as aflatoxinas (AF). Micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por fungos denominados toxigênicos. Métodos analíticos utilizados para o monitoramento de micotoxinas devem apresentar resultados precisos e confiáveis. A validação de métodos analíticos é desta forma uma importante ferramenta para dar suporte às análises dando qualidade e confiabilidade aos resultados gerados. Além disso, Alimentos contaminados por AF podem ser descontaminados através de métodos físicos, químicos e biológicos. O presente trabalho apresenta uma validação intralaboratorial de análise de AF em castanha-do-Brasil por Cromatofrafia Líquida de Alta Eficiência por detector de Fluorescência (CLAE-F). 21 amostras de castanha-do-Brasil provenientes do comércio varejista do Rio de Janeiro foram analisadas. Ensaios de descontaminação biológica foram realizados nos extratos hidrossolúveis de castanha-do-Brasil naturalmente contaminados utilizando cepas de Lactobacillus rhamnosus (ATCC 10863) e Rhodococcus erythropolis (ATCC 4277) por períodos de 24 e 48 h. O método foi validado e considerado adequado. Das 21 amostras analisadas três amostras (14%) estavam acima dos Limites Máximos Toleráveis (LMT) estabelecidos pela legislação brasileira. Os valores de AF totais encontrados nessas amostras foram 28,17 μg/kg, 45,49 μg/kg e 54,41 μg/kg. O extrato da castanha-do-Brasil hidrossolúvel incubado com o Lactobacillus. rhamnosus (ATCC 10863) não apresentou redução na concentração das AFB e G em nenhum dos períodos de incubação estudados. Resultados diferentes foram observados para o extrato hidrossolúvel de castanha-do-Brasil incubados com o Rhodococcus erythropolis (ATCC 4277) que apresentaram uma redução estatisticamente significativa na concentração de AF G1 (17%) após 24 h de incubação,
dobrando após 48 h de incubação (34%). Quanto à AF G2, sua concentração tendeu a sofrer redução após 24h de incubação. Contudo, só houve uma redução estatisticamente significativa (20%) após 48h de incubação não ocorrendo reduções nos níveis das AFB1 e B2.